Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

Conheça a ILPF, uma estratégia de produção
agropecuária que integra diferentes culturas
para aumentar a produtividade do
agronegócio de maneira sustentável.

“Conheça a história de Joseval Pina”

Fazenda integra gliricídia com coco em Sergipe

Foto da fazenda

Em Sergipe, no município de Estância, próximo à badalada praia do Saco, o produtor Joseval Pina cultiva uma leguminosa consorciada com o seu coqueiral que parece que foi criada sob medida para o Nordeste.

No lugar do espaço vazio entre um coqueiro e outro, o terreno está repleto de gliricídia, uma planta que é uma verdadeira benção para aqueles que convivem com a seca. Muito resistente à seca, essa é uma fórmula nordestina para integrar a lavoura, pecuária e floresta (ILPF), pois a gliricídia é considerada um arbusto que pode crescer até próximo dos cinco metros. É o componente arbóreo do sistema ILPF.

E onde entra o componente animal, ou melhor, pecuária nesta história?

Acontece que Pina, como gosta de ser chamado, já foi presidente Associação dos Caprinos e Ovinos de Sergipe. Seus animais da raça Santa Inês já receberam diversos prêmios. Ele sempre frequenta as exposições agropecuárias e se preocupa com a qualidade do seu rebanho, sobretudo com o aperfeiçoamento genético dos animais. E para isso, ele está atento à nutrição e sanidade dos seus ovinos.

 “A gliricídia é um ótimo alimento com alto teor de proteína para meus carneiros e ovelhas”, ressalta Pina que recebeu assessoria da Embrapa na introdução da gliricídia no seu coqueiral.  Ele cultiva dois hectares de gliricídia no seu coqueiral.

O produtor tritura a gliricídia junto com capim elefante, milho e coloca em cochos para alimentar suas ovelhas da raça Santa Inês, Dorper e White Dorper.

E não é só isso. O pesquisador José Henrique Rangel, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, enumera as vantagens da gliricídia.

“Utilizando-a com a integração lavoura, pecuária e floresta, a gliricídia nitrogena o solo, melhora a qualidade da matéria orgânica e os nutrientes nas áreas profundas do solo são reciclados para as camadas superiores e assim diminui-se o uso de fertilizante químico.

Ele acrescenta também que, ao integrar a gliricídia com coqueiro, aumenta a diversidade da fauna atraindo mais abelhas, insetos polinizadores, abrigando nos seus galhos pássaros e ninhos.

Quer mais?  “O pasto é mais verde e a gliricídia pode servir de cerca viva. Isso significa economia na dispendiosa estrutura para a contenção de gado no pasto.  É a solução ideal para o produtor consciente que deseja rentabilizar a produção, aumentar o lucro e que se preocupa com o meio ambiente”, complementa Rangel.

“Essa leguminosa é muito prática. Ela se reproduz através de semente ou de estacas. Basta uma estaca em uma cova e forma-se uma nova planta e, sem demora, está cheia de folhas comestíveis para o gado”, afirma ele.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros pesquisou o plantio de gliricídia de várias formas de integração. Uma delas é o de alameda, junto com o pasto, milho ou feijão. Já é uma boa economia com ureia com a nitrogenação do solo. No sistema de alamedas, o ideal é o espaçamento de quatro por dois metros, onde o gado pode passar com facilidade.

O produtor pode optar pelo plantio adensado, se quiser alimentar os animais com gliricídia como forragem, feno e silagem ou até usar suas folhas e ramos como adubo verde. Nesse caso, não é possível o pastejo, pois não há espaço para o gado transitar. No entanto, é muito produtivo, pois é possível o corte a cada 70 dias na estação chuvosa e a cada 120 dias, na estação seca. Um hectare pode produzir em torno de 20 toneladas de folhas comestíveis para o gado, em cada corte. Como pode haver quatro cortes por ano. São oitenta toneladas anuais por hectare.

O pesquisador Rangel diz ainda que o produtor pode também formar um banco de proteína. Os animais são colocados para comer as folhas da gliricídia uma hora pela manhã e outra hora pela tarde e no tempo restante, o gado come outro tipo de pasto. Esse processo é recomendado para vacas de leite, pois o manejo dos animais é mais constante.

O pesquisador Humberto Rollemberg Fontes, também da Embrapa Tabuleiros Costeiros, indica a gliricídia como adubo verde em cultivo consorciado com coqueiro híbrido.

“Ao depositar a parte aérea da gliricídia na zona de coroamento do coqueiro híbrido, duas vezes ao ano, pode-se substituir  totalmente ou parte dos fertilizantes nitrogenados durante a fase de crescimento, proporcionando economia e maiores ganhos ambientais em função da redução do uso de insumos químicos”. 

 

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Texto e fotos: 

Ivan Marinovic Brscan (1634/09/58/DF) 
Embrapa Tabuleiros Costeiros 
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (79) 40091381

Fulano

A gliricídia é um ótimo alimento com alto teor de proteína para meus carneiros e ovelhas

Joseval Pina

Proprietário da Fazenda das Palmáceas Estância - SE